A vida é feita de escolhas? Será mesmo?
Não escolhi o dia do meu nascimento, nem qual seria a forma do parto. Não escolhi meu nome, a cor dos meus olhos, do meu cabelo, nem da minha pele. Não escolhi meus parentes, nem meu sobrenome. Não escolhi minha religião, minha educação, nem a classe econômica à qual pertenço. Quando eu nasci, já foram me ensinando de que forma eu deveria me comportar. Falar palavrão é feio! É proibido andar pelado na rua! Não pode comer de mão! Dê “bom dia” pra sua tia! Você não pode sair na rua a essa hora! Tá na hora de dormir! Não discuta com sua mãe! É assim porque é, e pronto!
E quando a gente cresce, será que a gente escolhe?
Se você teve a sorte de nascer em uma família favorecida, deverá seguir o seguinte ciclo: nascer, crescer, brincar, estudar, comprar, se formar, trabalhar, comprar, viajar, comprar, casar, comprar, ter filhos, netos, comprar, se aposentar, comprar e morrer. Se nasceu em família pobre, seu ciclo será menor: nascer, crescer, ter filhos, trabalhar, comprar, talvez casar, trabalhar, trabalhar e morrer. Ainda bem que esse ciclo não vale para todos. Tem pobre que estuda e consegue uma vida melhor. Tem rico que não casa, não tem filhos, e é feliz mesmo assim. Tem gente que é rica, mas é pobre. Tem pobre que também é rico. Tem pessoas que desafiam o “destino”.
A sociedade insiste em transformar a vida em uma equação matemática: estudar + trabalhar + casar + ter filhos = ser feliz. E tem gente que pensa que a vida só tem mesmo um caminho. O sistema precisa de homogeneidade, fica mais fácil de dominar e de lucrar! Você não parece com a modelo da revista? Então alise o cabelo, coloque silicone, emagreça, não tenha espinhas, faça as unhas, use salto alto e maquiagem! Caso contrário, seja assim como você é: uma simples mortal fora dos padrões! Mas viva com a auto-estima baixa e torça bastante pra alguém te querer! Se quiser que os outros te respeitem, use roupa formal, tenha sempre uma boa aparência. Chinelo nem pensar! E mantenha as APARÊNCIAS! Compre roupa de marca, siga a moda, jogue fora tudo aquilo que está ultrapassado!
E o que está ultrapassado? Na certa me responderiam: aquele celular do ano passado, aquele vestido que você comprou no último verão, aquele carro modelo antigo de 2 anos atrás, aquela roupa que era de sua mãe, o tênis que você comprou na liquidação! Ultrapassado pra mim é outra coisa: é a mania de viver sempre da mesma forma, é o preconceito, é o medo de não seguir os padrões. Sim, a sociedade dita padrões, nos molda, dita regras de convivência que temos que aceitar. Tudo bem, algumas regras são essenciais para uma vida “comunitária”. Mas NÃO VENHA ME DIZER QUE NÃO POSSO ESCOLHER! Muita coisa eu não escolhi, mas me recuso a continuar assim!